A MUDANÇA REPRESENTACIONAL DO PAPEL DA MULHER EVIDENCIADA PELA INTERAÇÃO DOS PROCESSOS METAFÓRICOS E METONÍMICOS NAS PRINCESAS DOS CONTOS DE FADAS DA DISNEY
Representações Sociais. Linguística Cognitiva. Interação Metafórica
Metonímica. Multimodalidade. Princesas da Disney. Gênero.
Esta pesquisa investiga a mudança na representação da mulher nos contos de fadas da Disney,
à luz da interação entre metáfora e metonímia. O objetivo geral é verificar a transformação
dessas representações no período de 1937 a 2016. A pesquisa articula a Teoria das
Representações Sociais (TRS), com base em Moscovici (1961, 1978, 2001, 2007, 2012),
Jodelet (1985) e Arruda (2002), aos estudos de gênero de Butler (1992, 2003, 2004, 2015) e
Beauvoir (1970). Ademais, como as representações sociais têm por base conceitos, recorre-se
à Linguística Cognitiva para compreender como esses conceitos se constroem por meio da
interação entre metáfora e metonímia. Para isso, utilizam-se a Teoria da Metáfora Conceptual
(TMC), de Lakoff e Johnson (1980); a Teoria da Integração Conceptual (TIC), de Fauconnier
e Turner (2000, 2002); os estudos metonímicos de Barcelona (2003); e os estudos sobre a
interação entre metáfora e metonímia de Paiva (2010, 2011, 2012) e Sperandio (2014). Por se
tratar de um corpus multimodal, a pesquisa fundamenta-se ainda na Teoria da Metáfora
Multimodal, de Forceville (1996, 2002, 2008, 2009, 2012) e Sperandio (2014, 2020), bem
como na Gramática do Design Visual (GDV), de Kress e van Leeuwen (1996). A
metodologia é qualitativa e interpretativista, aplicada a um corpus composto por onze cenas,
representadas graficamente, de nove filmes da Disney, retiradas da rede social Pinterest, as
quais foram divididas em três grupos: princesas clássicas, princesas da década de 1990 e
princesas contemporâneas. Os resultados indicam que as representações sociais do gênero
feminino, fundamentadas em interações entre metáfora e metonímia presentes em diferentes
modos semióticos, acompanham as transformações socioculturais do papel da mulher. As
princesas clássicas reforçam a passividade, a domesticidade e a dependência de figuras
masculinas; as da década de 1990 questionam parcialmente esses modelos, mas ainda
preservam elementos tradicionais; já as contemporâneas apresentam maior agência, embora
persistam tensões patriarcais. Conclui-se que essas representações refletem as transformações
históricas do papel social da mulher.