Banca de QUALIFICAÇÃO: JULIANA APARECIDA DAS DORES

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : JULIANA APARECIDA DAS DORES
DATA : 18/12/2025
HORA: 10:30
LOCAL: https://meet.google.com/pgx-tpza-wvn?hs=122&authuser=0
TÍTULO:

DAS MARGENS À PRATELEIRA – QUARTO DE DESPEJO A LITERATURA DOS SILENCIADOS 


PALAVRAS-CHAVES:

Carolina Maria de Jesus; Decolonialidade; Escrevivência; Identidade.


PÁGINAS: 44
RESUMO:

Esta pesquisa propõe-se a investigar a escrita de Carolina Maria de Jesus, em particular sua obra Quarto de Despejo: diário de uma favelada (2020), como uma forma potente de resistência e decolonialidade. A partir do corpus, o estudo discute como a autora constrói uma escrita de si que ultrapassa o registro íntimo característico de diários, apontado por Philippe Lejeune (2008), e alcança dimensões coletivas, dialogando com as postulações sobre escrevivência formuladas por Conceição Evaristo (2020), utilizadas para abranger as complexidades das narrativas de mulheres negras e periféricas, entendendo a escrita como um ato que se realiza a partir dessas vivências e existências. Para compreender as tensões identitárias que atravessam a trajetória de Carolina, recorre-se às reflexões de Frantz Fanon (2008) e Stuart Hall (2006) sobre identidade, colonialidade e processos de subjetivação. Os teóricos ajudam a compreender a identidade como um processo de construção constante e relacional, no qual Carolina (2020) luta contra a subalternização imposta pela sociedade. A escrita da autora também é observada sob a perspectiva da linguagem como instrumento político, aproximando-se das discussões de Lélia Gonzalez (2020) sobre o pretuguês e suas conexões com a herança africana na língua brasileira. A escrita singular de Carolina (2020), marcada pela oralidade e pelo “popular”, subverte a imposição da norma culta e reafirma sua identidade. Ao reunir essas perspectivas, o trabalho busca demonstrar que Carolina Maria de Jesus (2020) não apenas registra a vida na favela do Canindé em seus diários e posteriormente em sua obra, mas desloca o lugar social que lhe foi imposto, questionando estruturas raciais, patriarcais e classistas que historicamente silenciaram vozes como a sua. A pesquisa busca evidenciar que a obra de Carolina (2020) contribui para a reconfiguração do campo literário brasileiro, abrindo espaço para a valorização de narrativas marginalizadas e revelando a potência política e estética de uma literatura produzida a partir das margens.


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - MIRIAN CRISTINA DOS SANTOS - UNIFESSPA
Notícia cadastrada em: 09/12/2025 15:33
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