DEMARCAR AS TELAS E OCUPAR AS REDES: Comunicação digital no movimento de mulheres indígenas do Brasil
Mulheres indígenas; ANMIGA; comunicação digital; movimento indígena; movimento de mulheres indígenas; protagonismo indígena.
Esta dissertação analisa o fortalecimento da organização política das mulheres indígenas no
Brasil a partir do lançamento da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da
Ancestralidade (ANMIGA), com ênfase na centralidade da comunicação digital nesse
processo. Inserida no campo dos estudos sobre comunicação, movimentos sociais e
movimento indígena, a pesquisa parte da contextualização histórica do movimento indígena
brasileiro e da trajetória de participação das mulheres indígenas, destacando a ampliação de
seu protagonismo político e organizativo nas últimas décadas. O trabalho discute a
apropriação da internet e das redes sociais digitais como instrumentos estratégicos de
mobilização, visibilidade e articulação nacional, especialmente em contextos de
agravamento das violências contra os povos indígenas e de restrições à mobilização
presencial. O objeto empírico da pesquisa são as transmissões ao vivo realizadas no contexto
de lançamento da ANMIGA, compreendidas como espaços de articulação política, produção
de narrativas e fortalecimento identitário. A análise das transcrições dessas transmissões
evidencia a recorrência de discursos centrados na defesa da vida, dos territórios e da
ancestralidade, articulados à denúncia das violências territoriais, institucionais, ambientais e
de gênero enfrentadas pelas mulheres indígenas. As falas analisadas constroem uma
narrativa coletiva que situa essas experiências no interior de um processo histórico de
colonização e expropriação, reafirmando a indissociabilidade entre corpo, território e
espiritualidade. As lives analisadas demonstram que a comunicação digital é compreendida
não apenas como ferramenta técnica de divulgação, mas como um território político de
encontro, mobilização e visibilidade. Conclui-se que o lançamento da ANMIGA, mediado
pelas tecnologias digitais, representa um marco no fortalecimento da organização política
das mulheres indígenas, reafirmando a centralidade da comunicação como eixo estruturante
de sua atuação no cenário político contemporâneo.