Investigação da ocorrência, abundância e caracterização de microplásticos no sistema digestivo de peixes e nas águas do Rio Itapecerica, na bacia do São Francisco.
microplásticos; ictiofauna; FTIR; Raman; poluição hídrica; rio Itapecerica.
A poluição por microplásticos (MPs) representa uma preocupação ambiental e de saúde pública devido à sua persistência, ampla distribuição e potenciais impactos ecológicos. Grandes bacias hidrográficas, especialmente aquelas sujeitas a intensa atividade antrópica, como agricultura, urbanização e lançamento de efluentes, atuam como importantes fontes desses contaminantes. Este estudo teve como objetivo avaliar a ocorrência e a caracterização de MPs em amostras de água superficial e na ictiofauna do rio Itapecerica, na bacia do rio São Francisco. Foram realizadas duas campanhas, considerando as estações seca e chuvosa, em três pontos ao longo do rio Itapecerica com diferentes usos e ocupações do solo. Amostras de água superficial foram coletadas, juntamente com parâmetros físico-químicos, e os peixes capturados foram identificados taxonomicamente e submetidos a análises de conteúdo estomacal e intestinal. A triagem e a identificação dos MPs foram realizadas por digestão alcalina, microscopia estereoscópica e espectroscopia de infravermelho com transformada de Fourier (FTIR). Microplásticos (MPs) foram detectados em todos os pontos de amostragem e em 32,84% dos indivíduos analisados, independentemente dos hábitos alimentares, embora os peixes iliófagos tenham apresentado a maior proporção de indivíduos contaminados. Fibras, especialmente as azuis, principalmente associadas a polímeros como o polietileno, predominaram. Observou-se variação sazonal, com maior ocorrência de MPs durante a estação chuvosa, indicando a influência da dinâmica hidrológica e o transporte a partir de fontes antropogênicas. A presença de MPs na água e na fauna íctica sugere múltiplas fontes potenciais, principalmente relacionadas a efluentes domésticos, atividades urbanas e à indústria têxtil. Esses achados destacam a interação entre exposição ambiental, estratégias alimentares e ingestão individual de MPs, reforçando a necessidade de monitoramento contínuo e estratégias de mitigação para reduzir a entrada de poluentes emergentes em sistemas fluviais.