Banca de DEFESA: EDILENE SANTOS ALVES DE MELO

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : EDILENE SANTOS ALVES DE MELO
DATA : 30/09/2026
HORA: 13:00
LOCAL: https://meet.google.com/kos-taxh-aja
TÍTULO:

Avaliação, in vitro e in vivo, do potencial antitumoral do canabidiol combinado com a cisplatina em linhagens tumorais de cabeça e pescoço


PALAVRAS-CHAVES:

Canabidiol; Cisplatina; Carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço; Resistência à cisplatina; Autofagia.


PÁGINAS: 100
RESUMO:

O carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço (CCECP) é considerado um dos tipos de câncer mais comuns no mundo e apresenta prognóstico desfavorável, principalmente devido à resistência terapêutica, recorrência local e metástase linfonodal. Apesar dos avanços dos tratamentos, incluindo cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapia molecular direcionada e imunoterapia, a eficácia permanece limitada. A cisplatina (CIS) é amplamente utilizada no tratamento do CCECP, isoladamente ou em associação com outros quimioterápicos ou com a radioterapia, porém a sua eficácia permanece comprometida pela resistência. Nesse contexto, há uma necessidade de novas estratégias terapêuticas capazes de aumentar a sensibilidade ao tratamento. O canabidiol (CBD) tem demonstrado potencial antitumoral, incluindo o CCECP, com propriedades analgésicas e antieméticas. Neste estudo, investigamos pela primeira vez os efeitos da combinação de CIS com CBD na linhagem celular tumoral HN13 com uma resistência relativa à CIS. Por meio do ensaio MTT, foram determinados valores de IC50 de 10 µM para o CBD e 76 µM para CIS após 24h de tratamento. A combinação de CIS e CBD apresentou efeito sinérgico com CISCBD1 (Índice de combinação [IC] = 0,6; CIS 5 µM + CBD 10 µM) e CISCBD2 (IC = 0,8; CIS 25 µM + CBD 10 µM). Os tratamentos combinados apresentaram maior seletividade para as células tumorais HN13 (p < 0,0001) quando comparado aos CBD isolado (p = 0,0262, WI38 e p = 0,0002, HaCaT). Por meio do ensaio de zimograma, observamos que o CBD inibiu a atividade das metaloproteinases (MMPs) MMP-9 e MMP-2  (p = 0,0255 e 0,0395, respectivamente), enquanto CISCBD aumentou a atividade da MMP-2 (p = 0,0164).  ISCBD inibiu a migração celular após 24 h de forma mais eficaz que o CBD isolado (p = 0,0172) e CIS (p < 0,0001), manteve a adesão celular e inibiu a invasão (p = 0,0383). Além disso, CBD e CISCBD inibiram a formação de colônias (p < 0,0001) e reduziram a área total dos esferóides em cultura 3D, sendo CISCBD mais eficaz quando comparado à CIS (p = 0,0467). Os esferóides tratados com CISCBD apresentaram maior intensidade de marcação com iodeto de propídio (IP) indicando aumento da morte celular tardia. No ensaio morfológico com LA/IP em cultura 2D, o tratamento com CISCBD promoveu maior número de células em morte tardia após 12 h quando comparado ao CBD após 24 h (p < 0,0001). As alterações morfológicas indicaram apoptose e autofagia, posteriormente confirmadas pelo ensaio de western blot (WB). CISCBD potencializou os efeitos apoptótico e autofágico observados de CIS e CBD e reduziu a ativação de vias associadas à sobrevivência celular. Foi observada diminuição de mTOR, AKT fosforilada e HSP70, acompanhada pelo aumento das proteínas apoptóticas, como caspase 3 clivada e PARP clivada, e dos marcadores autofágicos LC3-II e da razão LC3-II/LC3-I, associado à redução de Beclin-1. A CIS isolada por sua vez, promoveu o aumento de MLKL e RIP fosforiladas, proteínas associadas à necroptose. Para avaliar o papel da autofagia, foi utilizado o inibidor de autofagia 3- metiladenina (3-MA). Observamos que a autofagia induzida pelos tratamentos exerceu um papel citoprotetor, uma vez que sua inibição reduziu ainda mais a viabilidade das células tratadas com CBD e CISCBD e ativaram a apoptose em maior intensidade, evidenciado pelo aumento de PARP clivado e caspase 3 clivada em comparação aos tratamentos sem 3-MA. A inibição de autofagia foi confirmada com o marcador fluorescente MDC (dansylcadaverine) e pela redução de LC3-II. In vivo, CISCBD reduziu significativamente o crescimento tumoral em comparação ao CBD (p = 0,0003) no modelo de membrana corialantóidea de galinha (CAM). Além disso, CISCBD reduziu significativamente processos relacionados à angiogêneses, incluindo a área total vascular, o comprimento dos vasos e o número de ramificações, além de não exercer toxidade aos vasos sanguíneos avaliados no ensaio HETCAM. Em conjunto, os resultados demonstram que o CBD potencializa a atividade antitumoral e aumenta a sensibilidade à CIS em células de CCECP, reduzindo a viabilidade, a migração celular, e o crescimento tumoral, além de modular vias relacionadas à morte e sobrevivência celular. A combinação CISCBD intensificou a apoptose e induziu a autofagia com papel citoprotetor, além de reduzir o crescimento tumoral e apresentar efeito antiangiogênico, sem apresentar toxidade vascular, in vivo. Esses achados sugerem  que a combinação entre CIS e CBD é uma estratégia promissora para aumentar a sensibilidade de células resistentes à CIS. 


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - ANA GABRIELA SILVA OLIVEIRA - UIT
Externo à Instituição - CARLOS ALEXANDRE CAROLLO - UFMS
Externa ao Programa - 1742558 - FLAVIA CARMO HORTA PINTO - nullExterno ao Programa - 1908201 - JOAQUIM MAURICIO DUARTE ALMEIDA - nullExterno à Instituição - LUCIA PINHEIRO SANTOS PIMENTA - UFMG
Externa à Instituição - LUDMILA SILVA BRIGHENTI - UEMG
Presidente - 1680611 - ROSY IARA MACIEL DE AZAMBUJA RIBEIRO
Notícia cadastrada em: 03/09/2026 11:19
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