Banca de QUALIFICAÇÃO: PHILIPE AUGUSTO NASCIMENTO

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : PHILIPE AUGUSTO NASCIMENTO
DATA : 12/06/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Videoconferência
TÍTULO:

ENFRENTAMENTO DO RACISMO NA GRADUAÇÃO EM MEDICINA: percepções de estudantes negros(as) em uma universidade federal


PALAVRAS-CHAVES:

Formação em Medicina; racismo estrutural; democratização universitária; ações afirmativas; permanência estudantil.


PÁGINAS: 87
RESUMO:

Esta pesquisa tem como objetivo analisar desafios para o enfrentamento do racismo direcionado a estudantes negros que cursam a graduação em Medicina, sob a ótica desses próprios estudantes. Políticas de democratização do ensino superior ampliaram o acesso, mas a permanência estudantil é dificultada por fatores de risco fortemente interrelacionados, dentre eles, a reprodução do racismo no ambiente universitário. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, desenvolvida com estudantes negros de dois cursos de Medicina, presentes em dois campi de uma mesma universidade federal mineira. Três grupos focais foram realizados: a) campus 1; b) campus 2 e c) participantes dos dois grupos anteriores. Para dar sustentação argumentativa quanto aos aspectos institucionais, foram analisados os Planos de Desenvolvimento Institucional (PDI) produzidos nos últimos 20 anos e os dois últimos relatórios da Comissão Própria de Avaliação (CPA). A análise dos dados está em conformidade com referenciais da Análise Temática de Conteúdo. O refinamento da discussão dos dados, atualmente em processo, ocorre em diálogo com outros estudos brasileiros sobre o tema e à luz de constructos como racismo estrutural (SILVA, 2019), campo universitário, capital, habitus e violência simbólica (BOURDIEU, 1989 e 2013) e habitus racial (MONSMA, 2017). Os resultados preliminares indicam diferenças significativas entre os dois campi, na intensidade com que os problemas e os fatores de proteção estão presentes. Ser estudante negro na graduação em Medicina dessa universidade é uma vivência marcada por ambivalência. Ao mesmo tempo em que representa conquista e chance de mobilidade socioeconômica, significa ter que lidar com racismo velado e naturalizado em atividades acadêmicas, com destaque para a fase inicial no curso; rede institucional de proteção e promoção de direitos incipiente; autocobrança excessiva; e necessidade constante comprovar competência. A presença de mais pessoas negras em um dos campi, associada à existência de cursos de ciências humanas e sociais, tende a reduzir a sensação de impotência e não pertencimento. Os modos de atuação dos movimentos e das representações estudantis pouco contribuem. Há uma evolução na forma como essa comunidade universitária lida com o tema da democratização. O PDI vai deixando aos poucos de ser meramente protocolar, tornando-se ferramenta potente de disputa, nas demandas dos diversos grupos. Ainda assim, questões étnico-raciais aparecem mais dentro de uma proposta de inclusão da diversidade do que em uma estratégia para tornar a universidade antirracista. Conclui-se, preliminarmente, que o enfrentamento do racismo estrutural exigiria ações institucionais (incluindo curriculares) diferentes daquelas atualmente implementadas.


MEMBROS DA BANCA:
Externa ao Programa - 2117285 - CASSIA BEATRIZ BATISTA E SILVA
Presidente - 1544480 - EDUARDO SERGIO DA SILVA
Externa ao Programa - 1716846 - VANESSA FARIA CORTES
Notícia cadastrada em: 09/06/2026 12:12
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