GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA SOB UMA PERSPECTIVA EPIDEMIOLÓGICA E SOCIAL: DETERMINANTES, COMPORTAMENTOS ASSOCIADOS E REPERCUSSÕES MATERNAS
Gravidez na adolescência; Pré-eclâmpsia; Transtornos hipertensivos da gestação; Determinantes sociais da saúde; Comportamento sexual; Análise de classes latentes.
Introdução: A gravidez na adolescência permanece como importante problema de saúde
pública, sobretudo em países de baixa e média renda. Além das possíveis repercussões
maternas, sua ocorrência relaciona-se a desigualdades sociais e a diferentes padrões de
comportamentos sexuais e contraceptivos. Esta tese objetiva investigar a gravidez na
adolescência sob as perspectivas epidemiológica e social, considerando sua associação
com desfechos maternos, determinantes sociais da saúde e perfis de comportamentos
sexuais e contraceptivos. Para isso, foi estruturada em três estudos: uma revisão
sistemática com metanálise sobre doenças hipertensivas da gestação; uma revisão
sistemática sobre determinantes sociais da gravidez na adolescência na América Latina;
e um estudo transversal com dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar de 2024
(PeNSE 2024). Métodos: O primeiro estudo foi conduzido conforme o PRISMA, com
buscas em PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science, Embase, LILACS e SciELO,
complementadas por busca manual e na literatura cinzenta. Foram incluídas coortes
publicadas entre 2000 e 2025 que compararam gestantes adolescentes de 10 a 19 anos
com adultas de 20 anos ou mais quanto às doenças hipertensivas da gestação. A qualidade
metodológica foi avaliada pela Newcastle-Ottawa Scale. A pré-eclâmpsia foi sintetizada
por modelo de efeitos aleatórios, enquanto hipertensão gestacional, eclâmpsia e síndrome
de HELLP foram analisadas narrativamente. O segundo estudo consiste em revisão
sistemática conduzida conforme as recomendações da Cochrane e do PRISMA 2020, com
buscas em MEDLINE/PubMed, LILACS, SciELO e Web of Science, complementadas
pelo Google Acadêmico. Foram incluídos estudos observacionais analíticos sobre
determinantes sociais associados à gravidez, maternidade, fecundidade ou nascimentos
entre adolescentes de 10 a 19 anos na América Latina. A seleção e a extração foram
realizadas por dois revisores independentes, e a qualidade metodológica foi avaliada por
instrumentos específicos para cada delineamento. Os resultados foram sintetizados
narrativamente, segundo a unidade de análise e a proximidade temática. O terceiro estudo
será transversal e incluirá adolescentes do sexo feminino, de 13 a 17 anos, sexualmente
ativas, participantes da PeNSE 2024. A análise de classes latentes será utilizada para
identificar perfis de comportamentos sexuais e contraceptivos. Posteriormente, serão
analisados os fatores associados às classes e sua associação com a história de gravidez,
considerando características sociodemográficas, familiares, escolares e comportamentais e o desenho amostral complexo. Resultados: O primeiro estudo incluiu 11 coortes, nove
retrospectivas e duas prospectivas, totalizando aproximadamente 1,3 milhão de gestantes.
Os achados foram heterogêneos para pré-eclâmpsia, hipertensão gestacional e eclâmpsia,
e apenas um estudo avaliou a síndrome de HELLP. Na metanálise de nove estudos, a
gravidez na adolescência associou-se a maior risco de pré-eclâmpsia (RR=1,41; IC95%:
1,03–1,93), com elevada heterogeneidade (I²=94%; τ²=0,14). Os resultados parciais do
segundo estudo compreendem 18 estudos realizados no Brasil, México, Colômbia e
Equador, além de um estudo multicêntrico envolvendo nove países latino-americanos.
Condições socioeconômicas desfavoráveis e menor escolaridade associaram-se de forma
recorrente à maior ocorrência de gravidez ou maternidade adolescente. A privação
territorial apresentou padrão semelhante, enquanto os resultados sobre ruralidade foram
heterogêneos. O terceiro estudo encontra-se em fase de planejamento e organização do
banco de dados. Conclusão: Os resultados indicam que a gravidez na adolescência deve
ser compreendida de forma multidimensional. A primeira revisão sugere maior risco de
pré-eclâmpsia entre gestantes adolescentes, embora a elevada heterogeneidade reduza a
certeza da associação. Os resultados parciais da segunda revisão apontam a participação
de determinantes socioeconômicos, educacionais e territoriais. Esses achados
fundamentam o terceiro estudo, que investigará os perfis de comportamentos sexuais e
contraceptivos associados à história de gravidez entre adolescentes brasileiras.