Banca de DEFESA: AMANÚCHA ALFREDO SÁ GUIMARÃES

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : AMANÚCHA ALFREDO SÁ GUIMARÃES
DATA : 23/06/2026
HORA: 08:30
LOCAL: Campus Centro-Oeste
TÍTULO:

PANORAMA GLOBAL DA FILARIOSE LINFÁTICA E ESTRATÉGIAS DE CONTROLE E ELIMINAÇÃO. DESAFIOS E AVANÇOS NA GUINÉ-BISSAU.


PALAVRAS-CHAVES:

filariose linfática, epidemiologia, estratégias de controle.


PÁGINAS: 104
RESUMO:

A filariose linfática (FL) é uma doença tropical negligenciada (DTN) causada por helmintos
nematódeos das espécies Wuchereria bancrofti, Brugia malayi e B.timori. A primeira é
responsável por 90% de casos no mundo em regiões tropicais da Ásia, África e Américas e as
espécies de Brugia responsáveis pelos 10% restantes. Esses parasitos são transmitidos aos seres
humanos por meio da picada de mosquitos fêmeas dos gêneros Aedes, Anopheles, Culex e
Mansonia, dependendo do continente. Os indivíduos infectados podem ser assintomáticos ou
apresentarem manifestações clínicas caraterizadas por quadros de linfedema, hidrocele e
elefantíase na sua fase crônica impactando diretamente na qualidade de vida e econômica do
paciente. Globalmente mais de 657 milhões de pessoas em 39 países em todo o mundo vivem
em áreas endêmicas de FL e há necessidade de que sejam tratadas preventivamente para
interrupção do ciclo de transmissão desta parasitose. É objetivo da Organização Mundial de
Saúde eliminar a transmissão da FL do mundo até 2030. Para isto foi elaborado o Global
Program for the Elimination of Lymphatic Filariasis – GPELF (Programa Global de
Eliminação da Filariose Linfática) baseado na administração em massa de medicamento
(MDA), e gestão da morbidade para aliviar o sofrimento daqueles que já apresentam quadros
clínicos. A região do Sudeste Asiático (SEAR) conta com uma população de 1,98 bilhão de
habitantes, dos quais 853 milhões (43%) vivem em áreas endêmicas para FL. O Programa de
MDA na região de SEAR (2001-2018), realizou 5,7 bilhões de tratamentos, resultando na
redução de cerca de 84,2% do número de infectados. No continente americano havia no passado
24 países endêmicos, mas devido aos esforços dispendidos desde que começou o GPELF
atualmente conta com apenas três países endêmicos, Guiana, Haiti e República Dominicana.
Na Região Africana (AFRO) cerca de 406 milhões de indivíduos vivem em áreas de risco para
FL. A região apresenta coendemicidade dos parasitos filariais: W. bancrofti, Loa loa,
Onchocerca volvulus, Mansonela spp. e Dracunculus medinensis, que são transmitidos
principalmente pelos mosquitos fêmeas das espécies Anopheles gambiae, An. funestus e An.
arabiensis. Um mapeamento feito de 2000-2019 constatou 35 países endêmicos para FL na
África e 23 deles já implementaram o MDA. De 2000-2018 houve um progresso no programa
de MDA de 1% para 62% de cobertura regional e também constatou-se a eficácia do controle

vetorial integrado com malária, uma vez que compartilham o mesmo vetor com a FL. Na Guiné-
Bissau (GB), a FL é conhecida como Cantimbó e foi identificada no país em 1947, apresentando

uma prevalência estimada em 2005-2009 de 6%, tendo Bafatá, Gabú e Bijagós como regiões
de maior risco. A coexistência com esquistossomose, helmintíases e oncocercose na GB
representa um desafio significativo para sistema de saúde pública local. O programa de MDA
para FL na GB começou em 2008 e até 2013 foram implementadas 65 unidades de intervenção
(UIs). Em 2023 a cobertura nacional do programa foi de 42,8% e em 2024 foi de 67%
culminando na cobertura geográfica de 100% do país. A GB conta com uma meta de eliminação
da FL e outras DTN até 2030. As estratégias de eliminação adotadas são: tratamento de adultos,
crianças e doentes acamados, cuidados cirúrgicos à pacientes com hidrocele, monitoramento da
microfilaremia, promoção do uso de mosquiteiros tratados com inseticidas, e controle vetorial

integrado. Os desafios encontrados além da instabilidade política são: regiões com interrupção

do MDA desde 2017, outras com necessidade de inquéritos de avaliação da transmissão
(Transmission Assessment Survey - TAS) antes de encerrar o tratamento em massa, e
coendemicidade com outras DTNs. Conclui-se que houve progressos no âmbito global das
ações implementadas para o controle da FL, resultando na eliminação da transmissão do
parasito em muitos países. Estes resultados indicam que a eliminação de FL depende da
integração de MDA, controle vetorial, monitoramento contínuo, e gestão da morbidade. Para
alcançar a eliminação da FL como problema da saúde na Guiné-Bissau até 2030, será necessário
reforçar as ações que superem as dificuldades existentes na sua implementação em zonas de
difícil acesso, com coendemicidade com outras doenças infecciosas, levando ainda em
consideração a instabilidade política existente no país.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1120957 - GILBERTO FONTES
Externa à Instituição - LUCIA MARIA DA CUNHA GALVAO
Externa ao Programa - 6321971 - MARIA DAS GRACAS CARVALHO
Notícia cadastrada em: 15/06/2026 11:06
SIGAA | NTInf - Núcleo de Tecnologia da Informação - +55(32)3379-5824 | Copyright © 2006-2026 - UFSJ - sigaa05.ufsj.edu.br.sigaa05