Banca de QUALIFICAÇÃO: JULIA SOUKI DINIZ

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : JULIA SOUKI DINIZ
DATA : 01/10/2026
HORA: 14:00
LOCAL: videoconferência
TÍTULO:

GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA SOB UMA PERSPECTIVA EPIDEMIOLÓGICA E SOCIAL: DETERMINANTES, COMPORTAMENTOS ASSOCIADOS E REPERCUSSÕES MATERNAS


PALAVRAS-CHAVES:

Gravidez na adolescência; Pré-eclâmpsia; Transtornos hipertensivos da gestação; Determinantes sociais da saúde; Comportamento sexual; Análise de classes latentes.


PÁGINAS: 118
RESUMO:

Introdução: A gravidez na adolescência permanece como importante problema de saúde

pública, sobretudo em países de baixa e média renda. Além das possíveis repercussões

maternas, sua ocorrência relaciona-se a desigualdades sociais e a diferentes padrões de

comportamentos sexuais e contraceptivos. Esta tese objetiva investigar a gravidez na

adolescência sob as perspectivas epidemiológica e social, considerando sua associação

com desfechos maternos, determinantes sociais da saúde e perfis de comportamentos

sexuais e contraceptivos. Para isso, foi estruturada em três estudos: uma revisão

sistemática com metanálise sobre doenças hipertensivas da gestação; uma revisão

sistemática sobre determinantes sociais da gravidez na adolescência na América Latina;

e um estudo transversal com dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar de 2024

(PeNSE 2024). Métodos: O primeiro estudo foi conduzido conforme o PRISMA, com

buscas em PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science, Embase, LILACS e SciELO,

complementadas por busca manual e na literatura cinzenta. Foram incluídas coortes

publicadas entre 2000 e 2025 que compararam gestantes adolescentes de 10 a 19 anos

com adultas de 20 anos ou mais quanto às doenças hipertensivas da gestação. A qualidade

metodológica foi avaliada pela Newcastle-Ottawa Scale. A pré-eclâmpsia foi sintetizada

por modelo de efeitos aleatórios, enquanto hipertensão gestacional, eclâmpsia e síndrome

de HELLP foram analisadas narrativamente. O segundo estudo consiste em revisão

sistemática conduzida conforme as recomendações da Cochrane e do PRISMA 2020, com

buscas em MEDLINE/PubMed, LILACS, SciELO e Web of Science, complementadas

pelo Google Acadêmico. Foram incluídos estudos observacionais analíticos sobre

determinantes sociais associados à gravidez, maternidade, fecundidade ou nascimentos

entre adolescentes de 10 a 19 anos na América Latina. A seleção e a extração foram

realizadas por dois revisores independentes, e a qualidade metodológica foi avaliada por

instrumentos específicos para cada delineamento. Os resultados foram sintetizados

narrativamente, segundo a unidade de análise e a proximidade temática. O terceiro estudo

será transversal e incluirá adolescentes do sexo feminino, de 13 a 17 anos, sexualmente

ativas, participantes da PeNSE 2024. A análise de classes latentes será utilizada para

identificar perfis de comportamentos sexuais e contraceptivos. Posteriormente, serão

analisados os fatores associados às classes e sua associação com a história de gravidez,

considerando características sociodemográficas, familiares, escolares e comportamentais e o desenho amostral complexo. Resultados: O primeiro estudo incluiu 11 coortes, nove

retrospectivas e duas prospectivas, totalizando aproximadamente 1,3 milhão de gestantes.

Os achados foram heterogêneos para pré-eclâmpsia, hipertensão gestacional e eclâmpsia,

e apenas um estudo avaliou a síndrome de HELLP. Na metanálise de nove estudos, a

gravidez na adolescência associou-se a maior risco de pré-eclâmpsia (RR=1,41; IC95%:

1,03–1,93), com elevada heterogeneidade (I²=94%; τ²=0,14). Os resultados parciais do

segundo estudo compreendem 18 estudos realizados no Brasil, México, Colômbia e

Equador, além de um estudo multicêntrico envolvendo nove países latino-americanos.

Condições socioeconômicas desfavoráveis e menor escolaridade associaram-se de forma

recorrente à maior ocorrência de gravidez ou maternidade adolescente. A privação

territorial apresentou padrão semelhante, enquanto os resultados sobre ruralidade foram

heterogêneos. O terceiro estudo encontra-se em fase de planejamento e organização do

banco de dados. Conclusão: Os resultados indicam que a gravidez na adolescência deve

ser compreendida de forma multidimensional. A primeira revisão sugere maior risco de

pré-eclâmpsia entre gestantes adolescentes, embora a elevada heterogeneidade reduza a

certeza da associação. Os resultados parciais da segunda revisão apontam a participação

de determinantes socioeconômicos, educacionais e territoriais. Esses achados

fundamentam o terceiro estudo, que investigará os perfis de comportamentos sexuais e

contraceptivos associados à história de gravidez entre adolescentes brasileiras.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - AMELIA AUGUSTA DE LIMA FRICHE
Externa à Instituição - JUSSARA DE SOUZA MAYRINK NOVAIS - UFMG
Interna - 1699263 - MELINA DE BARROS PINHEIRO INACIO
Notícia cadastrada em: 18/09/2026 08:47
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