POR UMA PALEOGEOGRAFIA: O FÓSFORO CONTADOR DE HISTÓRIAS E A INVESTIGAÇÃO DOS SUBSTRATOS DO ARQUIPÉLAGO SÃO PEDRO SÃO PAULO, ATLÂNTICO NORTE
Fosfatização; Ornitogênese; Denudação
O Arquipélago de São Pedro e São Paulo (ASPSP), situado no Atlântico Equatorial, constitui uma singularidade geológica global por representar uma exposição in situ do manto abissal terrestre soerguido por forças tectônicas, distinguindo-se das demais ilhas oceânicas brasileiras de origem vulcânica. Esta dissertação investiga como os processos denudacionais geoquímicos e mecânicos, mediados pelo fósforo, contribuem para o entendimento paleogeográfico do arquipélago. Partindo da premissa de que o fósforo é um "contador de histórias", analisa-se o processo de fosfatização (ornitogênese) como o fenômeno central que articula as dimensões geológica, pedológica e biológica da área de estudo. O trabalho testa as hipóteses de que a fosfatização possui uma atuação dupla, atuando tanto na proteção do relevo através de crostas hidrofóbicas quanto na aceleração do intemperismo químico nos soil pockets, e de que o arquipélago ocupava áreas e altitudes superiores em fases climáticas pretéritas. A caracterização abrange desde os processos de milonitização e serpentinização do embasamento peridotítico até a influência da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) na degradação atual dos substratos. Conclui-se que os processos vinculados ao fósforo são preponderantes na manutenção do ASPSP frente à intensa dinâmica denudacional, reafirmando a importância estratégica e científica desse território para a Zona Econômica Exclusiva brasileira.