Entre a Forma e Paisagem: Morfologia, Simbolismo e Criação em Cerâmica.
Paisagem; morfologia; cerâmica; arte; urbanidade; simbolismo.
Esta dissertação investiga as relações entre paisagem, morfologia e criação artística, compreendendo a prática cerâmica como um modo de pensar e traduzir a experiência sensível do espaço. Inserida no campo interdisciplinar entre arte, urbanidades e sustentabilidade, a pesquisa propõe a arte como meio de investigação, em que o gesto, a observação e a matéria constituem formas de conhecimento.
O objetivo central é compreender como o processo criativo em cerâmica pode traduzir, por meio da forma e da experimentação, as percepções da paisagem natural e urbana. A dissertação organiza-se em três eixos interligados — Unidade, Dualidade e Multiplicidade —, que refletem o percurso teórico e poético do trabalho.
O eixo da Unidade aborda a paisagem natural como origem da forma e da percepção, revelando a natureza como organismo vivo e transformador. Em Dualidade, a paisagem urbana é interpretada como palimpsesto de tempos e formas, campo de tensões entre o natural e o artificial, a memória e a transformação. A pesquisa empírica na cidade de São João del-Rei foi conduzida por caminhadas, observações e leituras cartográficas, privilegiando uma apreensão sensível do espaço.
O eixo da Multiplicidade concentra-se na dimensão simbólica e material da criação, na qual a cerâmica é tomada como linguagem e metáfora. O processo resultou no painel cerâmico Tramas, composto por cinquenta e cinco módulos, que articula geometria, textura e variação cromática como cartografia poética da paisagem.
Metodologicamente, a pesquisa articula procedimentos empíricos e reflexivos, unindo o fazer artístico à investigação teórica. O percurso revelou que a arte pode funcionar como epistemologia do sensível — uma forma de pensar o mundo por meio da criação.O trabalho conclui que a forma é uma expressão do tempo e que o gesto artístico, ao modelar a argila, reinscreve o espaço vivido em matéria e memória. A criação, nesse contexto, não representa o mundo: ela o recria, revelando-o em sua complexidade poética e sensorial.