ALEGORIAS DAS MARGENS:
O fazer local e a precarização do Carnaval das escolas de samba de Ouro Preto-MG
Escolas de samba. Produção de alegorias. Carnaval comunitário. Terceirização do trabalho. Redes de sociabilidade.
Esta dissertação analisa a dinâmica do trabalho de produção de alegorias carnavalescas pelas escolas de samba de Ouro Preto-MG e as transformações decorrentes da crescente terceirização, marcada pela compra de alegorias prontas de outras cidades. A partir de uma análise histórica do Carnaval no Brasil, do entrudo à sua consolidação como festa popular, busca-se compreender como o controle e a dominação dos sujeitos periféricos se atualizam nesse contexto e de que modo esses sujeitos constroem estratégias de resistência por meio da coletividade. O objetivo central é compreender o cotidiano das comunidades que compõem as escolas de samba de Ouro Preto-MG, deslocando o foco do desfile como espetáculo para os processos de trabalho, especialmente na confecção das alegorias. A pesquisa de campo envolveu três escolas de samba locais e adota uma abordagem transdisciplinar. A análise considera os impactos da patrimonialização e da gestão pública sobre essas comunidades, com ênfase na Lei Municipal nº 874/2013, que regula o repasse de recursos públicos e cuja aplicação revela dinâmicas de exclusão burocrática e simbólica. Por fim, identificam-se as estratégias de permanência elaboradas pelas comunidades carnavalescas, sustentadas pela formação de redes de colaboração e sociabilidade entre as escolas, que ressignificam a espacialidade e a agência comunitária, materializando na produção de alegorias a potência do trabalho coletivo como espaço de identidade e pertencimento local.