Narrativas sobre o binômio "desenvolvimento-urbanização": a implantação da Usina Hiderlétrica de Furnas entre 1954-1965, a partir do Município de Formiga/ MG.
Narrativas; Território; Urbanização; Equipamentos Públicos Coletivos de Escala Regional; Furnas.
Em nosso trabalho nos propusemos a investigar as diferentes narrativas engendradas e mobilizadas pelo projeto desenvolvimentista brasileiro no século XX, dando ênfase às narrativas contra-hegemônicas, também suas implicações territoriais e culturais em busca da construção de uma narrativa contemporânea sobre o tema. Para tanto, definimos como objeto de pesquisa a Usina Hidrelétrica (UHE) de Furnas e a formação de seu reservatório, entendidos por nós como um Equipamento Público de Escala Regional (EPCER) cujo projeto e execução ocorreu entre os anos de 1954 e 1965, e tomamos como recorte espacial o município de Formiga/MG. A partir dessa inquietação identificamos que há uma carência de estudos multiescalares, inter e transdisciplinares na historiografia urbana brasileira, no campo do planejamento urbano e regional, que investiguem os impactos dos Equipamentos Públicos Coletivos de Escala Regional (EPCER) em municípios de pequeno e médio porte e que evidenciem narrativas suscitadas pela implantação desses equipamentos para viabilizar o projeto de “desenvolvimento-urbanização” brasileiras. Nosso objetivo principal é responder à seguinte problemática: o que as narrativas engendradas e mobilizadas pela construção da Usina Hidrelétrica (UHE) de Furnas e pela formação de seu reservatório revelam do projeto de “desenvolvimento-urbanização” brasileiro em municípios de pequeno e médio porte, como Formiga/MG? Para tal finalidade, organizamos a discussão a partir de três argumentos: 1) Furnas é uma urbanização extensiva; 2) Sua construção engendrou e mobilizou diferentes narrativas; e 3) A Usina de Furnas e seu reservatório não cumprem seu papel enquanto um Equipamento Público Coletivo de Escala Regional. Estes argumentos foram estruturados e orientados pelas premissas das Artes, Urbanidades e Sustentabilidade; teoricamente nosso trabalho se ancora nos debates sobre “território-sociedade-política”, desenvolvido pela socióloga Ana Clara Torres Ribeiro, o debate estruturalista acerca do desenvolvimento e cultura, proposto pelo economista Celso Furtado, e o debate sobre a “urbanização extensiva” e as alternativas a ela, conduzido pelo arquiteto e urbanista Roberto Monte-Mór.