ENTRE BARRO, PLUMAS, E BATUQUES: A MEMÓRIA QUE DANÇA NA FAMÍLIA VERMELHO E BRANCO
carnaval; escola de samba; memória coletiva; sustentabilidade cultural;
cerâmica.
Esta dissertação investiga as relações entre memória, arte, território, pertencimento e
processos de criação na GRES Unidos de São Geraldo, escola de samba localizada no bairro
São Geraldo, em São João del-Rei, Minas Gerais. A pesquisa parte da trajetória da
pesquisadora-artista, integrante da agremiação desde a infância, e de sua participação nos
processos de criação e produção do Carnaval de 2026, compreendendo a escola de samba
como espaço de convivência, criação artística, transmissão de saberes, resistência cultural e
sustentabilidade comunitária. Tem como objetivo compreender as relações afetivas, culturais
e criativas estabelecidas entre a comunidade e a agremiação, acompanhando os processos de
construção do desfile de 2026 e analisando como os fazeres carnavalescos contribuem para a
continuidade histórica e cultural da escola. A investigação adota abordagem qualitativa, de
natureza exploratória, com orientação etnográfica, autoetnográfica e transdisciplinar,
articulando pesquisa bibliográfica e documental, observação participante, diário de campo,
entrevistas semiestruturadas, depoimentos, registros fotográficos e audiovisuais e
pesquisa-criação em cerâmica. A escrevivência constitui perspectiva epistemológica e
metodológica para reconhecer a experiência vivida, a memória e o pertencimento como
dimensões da produção do conhecimento. Os resultados evidenciam que a GRES Unidos de
São Geraldo se constitui como território de produção e transmissão de conhecimentos, no
qual diferentes gerações compartilham saberes relacionados à música, dança, costura,
adereços, alegorias e organização comunitária. O processo de construção do Carnaval de
2026 revela estratégias coletivas de criação e adaptação diante de limitações materiais e
financeiras, fortalecendo formas de sustentabilidade cultural, social e econômica. A pesquisa
demonstra, ainda, que a memória da “família vermelho e branco” é continuamente recriada
por meio das relações familiares, das narrativas orais, dos corpos, dos espaços comunitários e
das práticas carnavalescas. Como desdobramento artístico, a cerâmica é utilizada como
linguagem de pesquisa-criação e como forma de materialização das memórias, transformando
pessoas, gestos, espaços e experiências do carnaval em esculturas. Conclui-se que carnaval e
cerâmica constituem práticas artísticas capazes de produzir, preservar e difundir
conhecimentos, reafirmando o pertencimento comunitário e a continuidade das tradições
culturais de São Geraldo.