BUROCRACIA, GERENCIALISMO E INSTITUCIONALISMO NO PLANO DE DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS
Administração Pública; Teoria Institucional; Universidades Federais; Plano de Desenvolvimento Institucional; Isomorfismo Institucional.
O Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) constitui o principal instrumento de planejamento das universidades federais, articulando missão, metas e estratégias em conformidade com exigências legais e identidade institucional. Esta pesquisa tem como objetivo analisar, à luz do Novo Institucionalismo Sociológico, como os mecanismos de isomorfismo institucional — coercitivo, mimético e normativo — influenciam a coexistência de traços da administração burocrática e de práticas gerenciais nos PDIs das universidades federais brasileiras. O estudo insere-se na linha de pesquisa Administração Pública e Organizações, contribuindo para a compreensão das transformações na gestão pública contemporânea. O referencial teórico articula a burocracia weberiana, a Nova Gestão Pública (NGP) e o institucionalismo sociológico, permitindo interpretar os PDIs como espaços de convergência entre distintas racionalidades administrativas. Metodologicamente, trata-se de pesquisa qualitativa, descritiva e analítica, baseada em análise documental de 20 PDIs de universidades federais, selecionadas por amostragem por tipicidade, com estratificação regional e critérios relacionados à trajetória institucional e ao desempenho acadêmico, mensurado pelo Índice Geral de Cursos (IGC). A análise foi conduzida por meio da técnica de análise de conteúdo, com apoio do software NVivo, a partir de uma matriz analítica estruturada em dimensões burocráticas, gerenciais e institucionais. Os resultados evidenciam a incorporação simultânea de elementos burocráticos — como formalismo, normatização e controle — e de práticas gerenciais associadas à NGP, como planejamento estratégico, uso de indicadores, monitoramento institucional e orientação a resultados. Observa-se, ainda, significativa similaridade estrutural e discursiva entre os PDIs, indicando a atuação de mecanismos isomórficos na configuração dos instrumentos de planejamento institucional. Entretanto, os achados também demonstram que os PDIs incorporam preocupações relacionadas à participação institucional, ao desenvolvimento regional e às especificidades organizacionais das universidades federais, evidenciando esforços de contextualização do planejamento institucional às realidades locais. A relevância e originalidade do estudo residem na articulação entre análise empírica em escala nacional e o referencial do Novo Institucionalismo Sociológico, oferecendo interpretação integrada das dinâmicas de homogeneização, legitimação e hibridização organizacional presentes no planejamento das universidades federais. No campo científico, a pesquisa contribui para o avanço das discussões sobre planejamento institucional, gestão universitária e institucionalismo na administração pública. Como produto técnico-tecnológico, propõe-se um instrumento analítico aplicado e um plano de ação voltados ao fortalecimento dos processos de elaboração, acompanhamento e revisão dos PDIs, com potencial de utilização por equipes de planejamento institucional das universidades federais. No campo das políticas públicas, os resultados podem subsidiar reflexões sobre planejamento, governança e gestão estratégica no âmbito da educação superior pública brasileira.