Efeitos da Vitamina D em parâmetros oxidativos e histológicos do
sistema digestório de camundongos expostos ao material
particulado atmosférico sedimentado (MPs)
material particulado sedimentado; vitamina D; estresse
oxidativo; intestino; fígado; hematita.
A poluição atmosférica representa um importante problema de saúde pública,
sendo o material particulado (MP) um dos principais poluentes associados ao
desenvolvimento de alterações inflamatórias e estresse oxidativo em diferentes
órgãos. Embora seus efeitos sobre os sistemas respiratório e cardiovascular
sejam amplamente descritos, os impactos no sistema digestório permanecem
pouco compreendidos. Neste contexto, o presente estudo teve como objetivo
investigar os efeitos da suplementação com vitamina D sobre alterações
oxidativas e histológicas do sistema digestório de camundongos Balb/c expostos
ao material particulado atmosférico sedimentado com diâmetro inferior a 38 μm
(MPS38), proveniente da região de Vitória, Espírito Santo. Inicialmente, o MPS38
foi caracterizado por microscopia eletrônica de varredura acoplada à
espectroscopia por energia dispersiva, difração de raios X, espectroscopia
Raman e espalhamento dinâmico de luz, evidenciando predominância de ferro
na forma de hematita (Fe2O3). Sessenta e quatro camundongos foram
distribuídos nos grupos Controle, Vitamina D, Material Particulado e Vitamina D
+ Material Particulado, sendo submetidos à suplementação com vitamina D (50
μg/kg/dia) e/ou exposição ao MPS38 por semigavagem durante protocolo
experimental de 21 dias. Após a eutanásia, foram realizadas análises
histológicas quantitativas do jejuno, íleo e fígado, bem como a determinação da
atividade da catalase, dos níveis de grupos sulfidrila e da concentração de
proteínas totais. A exposição ao MPS38 promoveu alterações morfológicas
intestinais, caracterizadas pela redução da largura das vilosidades, diminuição
da densidade de enterócitos e aumento da densidade de células caliciformes,
além de modificações em parâmetros hepáticos e elevação da atividade da
catalase, indicando resposta adaptativa ao estresse oxidativo. A suplementação
com vitamina D promoveu aumento da concentração de proteínas totais, porém
não foi capaz de prevenir as alterações oxidativas e histológicas induzidas pelo
MPS38. Conclui-se que o material particulado sedimentado rico em ferro
desencadeia alterações morfofuncionais e oxidativas no sistema digestório,
enquanto a vitamina D, nas condições experimentais empregadas, apresentou
efeito protetor limitado frente aos danos promovidos pela exposição ao poluente.