DETERMINANTES DO VALOR ADICIONADO DOMÉSTICO NAS EXPORTAÇÕES: UMA ANÁLISE COMPARATIVA INTERNACIONAL
Comércio Internacional; Cadeias Globais de Valor; Valor Adicionado Doméstico; Inovação; Instituições.
A fragmentação da produção em Cadeias Globais de Valor (CGVs) redefiniu o comércio internacional ao distribuir as diferentes etapas do processo produtivo entre países, com base em vantagens comparativas e custos de produção. Nesse contexto, a capacidade de cada economia em reter Valor Adicionado Doméstico (VAD) em suas exportações tornou-se um indicador-chave dos ganhos associados à inserção internacional. Tradicionalmente, o comércio internacional era mensurado pelo valor bruto dos bens finais transacionados. Contudo, com a consolidação das CGVs, essa métrica tornou-se insuficiente, uma vez que os produtos finais incorporam insumos e valor adicionado provenientes de múltiplas economias, ampliando o fluxo de bens intermediários, serviços e conhecimento entre os países. Diante desse cenário e da heterogeneidade observada no desempenho das economias, esta dissertação analisa os determinantes do Valor Adicionado Doméstico (VAD) da indústria de transformação nas exportações, considerando fatores internos como inovação tecnológica, qualidade institucional, capital humano, abertura comercial, investimento estrangeiro direto e nível de desenvolvimento econômico. Para atingir esse objetivo, o estudo adota uma abordagem quantitativa que combina uma análise descritiva inicial, voltada à caracterização da dinâmica do valor adicionado doméstico (VAD) e das variáveis explicativas, com a estimação de modelos econométricos em dados em painel para o período de 2010 a 2020. A análise empírica baseia-se em dados do Trade in Value Added (TiVA), desenvolvido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em parceria com a Organização Mundial do Comércio (OMC). Os resultados preliminares indicaram que a inovação tecnológica apresenta associação positiva com a retenção de valor doméstico, especialmente quando combinada com níveis mais elevados de capital humano e qualidade institucional. Adicionalmente, variáveis como abertura comercial e investimento estrangeiro direto também se mostram relevantes, ainda que com efeitos mais heterogêneos entre os países da amostra. De forma geral, os achados sugerem que a capacidade de internalizar valor nas CGVs está associada a um conjunto de fatores estruturais que atuam de forma complementar.