DESIGUALDADE DE OPORTUNIDADES E MERITOCRACIA EM MINAS GERAIS: EVIDÊNCIAS DO ÍNDICE DE OPORTUNIDADE HUMANA (2000-2010)
Índice de Oportunidade Humana; Desigualdade de oportunidades; Planejamento territorial; Desenvolvimento regional; Análise espacial; Decomposição de Shapley; Minas Gerais.
A presente pesquisa analisa a desigualdade de oportunidades em Minas Gerais sob a ótica crítica do discurso meritocrático. O estudo parte da premissa de que a meritocracia exige condições iniciais equânimes para ser legítima, mas enfrenta barreiras estruturais que condicionam o desenvolvimento individual. O objetivo geral é analisar a distribuição e a evolução das oportunidades de acesso à educação, ao saneamento, à energia elétrica, à água e ao computador entre a população de 0 a 16 anos nas 66 microrregiões mineiras, nos anos de 2000 e 2010. A metodologia fundamenta-se na estimação do Índice de Oportunidade Humana (IOH), que isola o componente esforço ao focar na população jovem, na Decomposição de Shapley, para quantificar o peso das circunstâncias de nascimento, e na Análise Exploratória de Dados Espaciais (AEDE), para identificar padrões geográficos de exclusão. Os resultados preliminares demonstram uma evolução absoluta nos níveis de acesso em todo o estado, com destaque para a expansão do acesso a computadores e a melhora no fluxo escolar (idade-série). Contudo, a análise espacial revela a persistência de uma polarização Norte-Sul, com a manutenção de agrupamentos do tipo "Baixo-Baixo" nas regiões do Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha, enquanto o eixo Sul-Triângulo-Central concentra os maiores índices. Conclui-se que o território atua como um agente de reprodução de desigualdades, estabelece um custo de oportunidade geográfico que desafia a premissa meritocrática e reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à neutralização dessas desigualdades territoriais.