DESIGUALDADE DE OPORTUNIDADES EM MINAS GERAIS: UMA ANÁLISE DO ÍNDICE DE OPORTUNIDADE HUMANA E DOS LIMITES DO DISCURSO MERITOCRÁTICO (2000–2010)
Índice de Oportunidade Humana; Desigualdade de oportunidades; Desigualdade regional; Análise espacial; Meritocracia; Minas Gerais.
Esta dissertação analisa a distribuição e a evolução da desigualdade de oportunidades entre as 66 microrregiões de Minas Gerais nos anos de 2000 e 2010. O trabalho fundamenta-se na Teoria da Desigualdade de Oportunidades e utiliza o Índice de Oportunidade Humana (IOH) para mensurar o acesso da população de zero a dezesseis anos a cinco serviços básicos: água tratada, saneamento, energia elétrica, computador e educação (frequência escolar e adequação idade-série). A metodologia emprega modelos de regressão logística para identificar o impacto de circunstâncias exógenas e a Análise Exploratória de Dados Espaciais (AEDE) para mapear padrões territoriais. Os resultados apontam a elevação do IOH geral do estado de 0,593 para 0,707 no período, com expansão da cobertura e redução da dissimilaridade na maioria dos serviços. A energia elétrica e a frequência escolar atingiram patamares próximos da universalização, enquanto o saneamento e a posse de computador mantiveram maiores restrições. A localização em área urbana e o nível de renda familiar figuram como as circunstâncias mais relevantes do acesso às oportunidades. A análise espacial confirma a presença de dependência espacial positiva e a permanência da polarização regional entre as áreas mais industrializadas (Sul, Triângulo Mineiro e Região Metropolitana de Belo Horizonte) e as regiões com maiores restrições de infraestrutura (Norte de Minas e Vales do Jequitinhonha e Mucuri). Conclui-se que a assimetria na distribuição inicial dos serviços limita a validade do discurso meritocrático, pois os resultados individuais dependem de circunstâncias territoriais e socioeconômicas anteriores ao esforço pessoal.