“E O DIAGNÓSTICO (SAI) QUANDO?” A URGÊNCIA DE NOMEAR: UMA INVESTIGAÇÃO SOBRE OS EXCESSOS
DIAGNÓSTICOS E SUAS IMPLICAÇÕES SUBJETIVAS
Psicanálise; Diagnóstico; Infância; Violência simbólica; Subjetividade
Esta dissertação investiga os excessos diagnósticos na infância e suas implicações subjetivas, tomando como ponto de partida a crescente demanda por diagnósticos. A partir de uma pesquisa teórica em psicanálise, articulada à revisão bibliográfica, discutem-se as diferenças entre a lógica diagnóstica proposta pelo DSM e a perspectiva diagnóstica da psicanálise, que privilegia a singularidade do sujeito e a função do sintoma. Em seguida, examinam-se as relações entre sofrimento, mal-estar e as transformações discursivas da contemporaneidade, situando os excessos diagnósticos como expressão de um processo mais amplo de patologização da vida. Com o aporte da noção de violência simbólica de Pierre Bourdieu, propõe-se compreender o diagnóstico, quando elevado à condição de significante mestre, como uma operação capaz de produzir efeitos de alienação subjetiva. A partir do conceito lacaniano de tempo lógico, discute-se a urgência diagnóstica como um possível apagamento do tempo necessário à constituição subjetiva. Por fim, sustenta-se que a posição ética do analista consiste em preservar um espaço de escuta que favoreça a separação em relação às identificações diagnósticas totalizantes, possibilitando a emergência da singularidade do sujeito