Produções coletivas de experiências escolares com adolescentes periferizados/as: Um contraponto à lógica do fracasso escolar
Adolescentes periferizados/as; Experiências escolares; Fracasso escolar; Psicologia escolar; Cartografia; Interseccionalidade.
Esta pesquisa teve como objetivo refletir sobre as produções coletivas de experiências escolares com adolescentes periferizados/as em uma escola da rede estadual de ensino localizada em um município mineiro, em contraposição à lógica hegemônica do fracasso escolar. Partindo da compreensão do fracasso escolar como uma produção social, histórica e institucional, atravessada pelos marcadores sociais da diferença, a pesquisa fundamentou-se na Psicologia Escolar de perspectiva crítica e na Interseccionalidade e buscou compreender as experiências, os afetos, as relações e as práticas comunitárias que atravessam o processo de escolarização de adolescentes periferizados/as bem como explorar as potencialidades de intervenções construídas coletivamente na escola e fora dela. Adotou-se a cartografia como método de investigação, acompanhando os processos e as afetações produzidas no encontro entre escola, pesquisadora, participantes e territórios/comunidades. O campo de pesquisa foi prioritariamente o ambiente escolar, onde ocorreram diversos processos de intercâmbio com a comunidade escolar, que viabilizaram o desenvolvimento das oficinas, realizadas em duas turmas de ensino médio, e proporcionaram maior conhecimento acerca das dinâmicas institucionais. Os resultados apontaram que a escola ocupa uma posição ambivalente nas experiências dos/as adolescentes, constituindo, simultaneamente, espaço de sociabilidade, aprendizagem, proteção e projeção de futuro, e espaço marcado por conflitos, preconceitos, desconfortos, distanciamentos e invisibilizações. As experiências produzidas nas oficinas também revelaram diferentes modos de relação com a escola: enquanto parte dos/as estudantes identificou nos encontros possibilidades de ruptura com a rotina escolar, ampliação das interações e produção de novas significações acerca da escola e de si, outros/as participantes não reconheceram mudanças em sua relação com a instituição, mantendo percepções negativas já existentes. A pesquisa evidenciou, ainda, que tais experiências não se circunscrevem ao espaço institucional, sendo atravessadas pelas desigualdades sociais, raciais, territoriais e de gênero. O deslocamento para o Centro Cultural Kilombo Urbano destacou a potência da circulação pelo território e dos espaços comunitários na produção de pertencimentos, vínculos, resistência e outras possibilidades de vivenciar o processo de escolarização. Os resultados sinalizaram, ainda, a presença de entraves institucionais relacionados à dinâmica escolar, às avaliações externas e à precarização estrutural. Tais elementos foram compreendidos como aspectos constitutivos do campo, reveladores dos desafios concretos que atravessam o contexto periferizado. Conclui-se que intervenções participativas e territorializadas podem constituir dispositivos de escuta e produção de experiências escolares contra-hegemônicas, sem desconsiderar as contradições e os diferentes sentidos atribuídos pelos/as próprios/as estudantes em formação.