RUÍNAS DA MASCULINIDADE NEGRA: FIO JASMIM ENTRE AUSÊNCIAS E REINVENÇÕES EM CANÇÃO PARA NINAR MENINO GRANDE
Masculinidade; Negro; Virilidade; Violência.
Esta dissertação investiga a construção da masculinidade negra por meio da representação do personagem Fio Jasmim, presente em Canção para ninar menino grande (2022), da escritora afrobrasileira Conceição Evaristo. O trabalho tem como objetivo compreender de que modo a masculinidade do homem negro é representada literariamente em tensão com os paradigmas da masculinidade hegemônica. Para tanto, articula os marcadores sociais da diferença — raça, gênero e classe — à luz de teóricos como bell hooks (2022), Frantz Fanon (2008), Judith Butler (2018), Michael Foucault (1999), Pierre Bourdieu (2012), Raewyn Connell (2005) e W.E.B. Du Bois (2021). A abordagem metodológica adota uma perspectiva crítico-interpretativa, centrada na linguagem simbólica e afetiva da narrativa, considerando os conceitos de escrevivência, performatividade e violência simbólica. O estudo evidencia como Fio Jasmim transita entre padrões de virilidade tradicional e possibilidades de ruptura por meio do afeto, da escuta e da vulnerabilidade, permitindo uma leitura crítica das masculinidades negras e suas formas de reinvenção. Ao tensionar a violência estrutural e os afetos interditados, Evaristo propõe uma escuta da subjetividade masculina negra, apontando para novas formas de existência.