VOLATILÔMICA FOLIAR DE Psidium guajava L. POR HS-SPME/GC-MS: ABORDAGEM QUIMIOMÉTRICA PARA OTIMIZAÇÃO METODOLÓGICA E PROSPECÇÃO COMPARATIVA DE POTENCIAIS ALELOQUÍMICOS VOLÁTEIS EM MYRTACEAE
Myrtaceae; compostos orgânicos voláteis; Psidium guajava L.; HS-SPME/GC-MS; volatilômica; biomassa residual.
A família Myrtaceae reúne espécies de elevada importância ecológica, alimentícia e econômica, cujos tecidos vegetais apresentam ampla diversidade de compostos orgânicos voláteis (COVs) e potencial para valorização de biomassa residual. Este trabalho teve como objetivo investigar a volatilômica foliar de Myrtaceae, utilizando Psidium guajava L. como matriz de referência para o desenvolvimento analítico e ampliando a abordagem para outras espécies da família. Inicialmente, foi realizada uma revisão da literatura sobre a composição volátil de Myrtaceae brasileiras, os métodos empregados em sua caracterização e as estratégias de aproveitamento de biomassa residual de culturas perenes. A compilação de 42 perfis químicos provenientes de 26 publicações resultou em 117 COVs padronizados e evidenciou a coexistência de um núcleo químico compartilhado entre gêneros com compostos de ocorrência mais restrita, além de lacunas relacionadas à quantificação da biomassa, rendimento, escalonamento, viabilidade econômica e desempenho ambiental. Em seguida, condições de microextração em fase sólida no headspace acoplada à cromatografia gasosa e espectrometria de massas (HS-SPME/GC-MS) foram avaliadas para folhas de P. guajava, utilizando fibras PA, CAR/PDMS e DVB/CAR/PDMS e diferentes combinações de tempo e temperatura. Foram detectados tentativamente 118 compostos distribuídos em 11 classes químicas, com predominância de terpenoides. A fibra CAR/PDMS apresentou maior número de compostos e maior abrangência de classes, enquanto as demais fibras forneceram informações químicas complementares e apresentaram respostas distintas às condições de extração. Por fim, a condição otimizada com DVB/CAR/PDMS foi aplicada, sem reotimização, a Eugenia dysenterica, Eucalyptus spp., Plinia cauliflora e Eugenia uniflora. A condição manteve elevada cobertura cromatográfica na maioria das espécies, mesmo diante de elevada dissimilaridade composicional, indicando potencial de transferibilidade para triagens não direcionadas de COVs foliares em Myrtaceae. Em conjunto, os resultados fornecem uma base química e metodológica para estudos comparativos da volatilômica da família e para a prospecção de compostos de potencial interesse químico, ecológico e aleloquímico.