ESTABELECIMENTOS DE MINAS GERAIS E OS DESAFIOS PARA O
CUMPRIMENTO DA COTA MÍNIMA DE CONTRATAÇÃO DE APRENDIZES
Aprendiz; Cota de aprendizagem; Inspeção do Trabalho; Aprendizagem profissional
A Lei da Aprendizagem configura-se como uma das principais políticas públicas voltadas à formação profissional da juventude no Brasil. Apesar de sua relevância, o cenário é de subaproveitamento do potencial de contratação de aprendizes e fragilidades na efetivação da política. Nesse contexto, o problema que orienta esta pesquisa consiste na baixa taxa de contratação de aprendizes e no consequente descumprimento da cota mínima prevista em lei, o que levanta o questionamento sobre a razão de os estabelecimentos mineiros não cumprirem a cota mínima de contratação de aprendizes. O objetivo geral é identificar os determinantes do descumprimento da cota estabelecida pela Lei da Aprendizagem em Minas Gerais. Adotou-se uma abordagem metodológica mista, de natureza quanti e qualitativa, composta por: (i) análise descritiva dos estabelecimentos com contratação inferior à cota mínima, com base em dados oficiais; (ii) entrevistas semiestruturadas com representantes de empresas inadimplentes; e (iii) levantamento documental de ações civis públicas e notícias sobre fiscalizações complementou a análise, permitindo triangulação entre diferentes fontes de evidência. Os resultados revelam que setores com reconhecida dificuldade de inserção de aprendizes, já contemplados pela Portaria nº 693/2017, continuam apresentando níveis alarmantes de descumprimento: transporte de valores (96,3%), vigilância e segurança privada (96,0%), comércio varejista de combustíveis (89,9%) e construção de edifícios (72,9%). Alguns resultados evidenciam que a escassez de cursos compatíveis com as demandas produtivas constitui um obstáculo recorrente e revelam desconexão entre a oferta formativa e as necessidades do setor produtivo. Destacam-se também queixas relacionadas aos custos indiretos da contratação e à exigência de acompanhamento contínuo dos aprendizes, especialmente, em empresas de pequeno porte. Adicionalmente, aspectos comportamentais e socioemocionais dos jovens surgem como desafios relevantes à manutenção dos vínculos contratuais. Conclui-se que a efetividade da Lei da Aprendizagem depende de ajustes normativos e institucionais capazes de considerar a heterogeneidade produtiva, aprimorar os mecanismos de fiscalização e integrar, de forma articulada, as políticas de educação profissional ao setor produtivo.