Banca de QUALIFICAÇÃO: MOHAMED SAIDO BALDÉ
Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : MOHAMED SAIDO BALDÉ
DATA : 13/11/2025
HORA: 13:00
LOCAL: Campus Centro-Oeste
TÍTULO:
DISPARIDADES RACIAIS NA RELAÇÃO CUSTO- EFETIVIDADE DO TRATAMENTO MEDICAMENTOSO ANTI-HIPERTENSIVO NO ESTUDO ELSA-BRASIL
PALAVRAS-CHAVES:
Hipertensão; Medicamentos Anti-hipertensivos; Disparidades Raciais, Desigualdade Social; Análise de Custo-Efetividade.
PÁGINAS: null
RESUMO:
A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) representa um grave desafio de saúde pública, tanto
em escala global quanto no Brasil, figurando como uma das principais causas evitáveis de
morbimortalidade. Com alta prevalência e custos significativos para os sistemas de saúde, a
HAS impõe uma carga econômica substancial, que é exacerbada por profundas desigualdades
raciais e socioeconômicas no acesso e controle do tratamento. Este estudo propõe-se a avaliar
as disparidades raciais na relação custo-efetividade do tratamento medicamentoso anti
hipertensivo no estudo ELSA-Brasil. Para isso, inicialmente, foi elaborada uma revisão
sistemática da literatura (Artigo – 1), que investigou como a relação custo-efetividade do
tratamento medicamentoso anti-hipertensivo varia entre hipertensos de diferentes grupos raciais
e/ou condições socioeconômicas. Para isso, foram conduzidas buscas em seis bases de dados
eletrônicas (Medline via Pubmed, Cochrane Library, Web of Science, Lilacs, Scopus e
Embase), resultando em 675 estudos. Após a triagem na plataforma Rayyan, dois estudos de
modelagem econômica realizados nos EUA (Vasudeva et al., 2016; Tajeu et al., 2017) foram
incluídos. Ambos concluíram que o tratamento medicamentoso anti-hipertensivo é altamente
custo-efetivo em relação à sua ausência. E entre os grupos analisados, brancos e negros, o
tratamento medicamentoso anti-hipertensivo foi mais custo-efetivo entre os negros. Vasudeva
et al. (2016) demonstraram essa vantagem econômica para homens e mulheres negros em que,
em diversos cenários, o tratamento foi Cost-Saving, ou seja, gerador de economia. Tajeu et al.
(2017) apresentaram resultados semelhantes, com os maiores ganhos de QALYs e economia de
custos observados nesse mesmo grupo. Os resultados reforçam a necessidade de inclusão de
fatores socioeconômicos e raciais em análises farmacoeconômicas para a formulação de
políticas de saúde mais equitativas e eficientes, otimizando investimentos e reduzindo
iniquidades. O estudo primário (Artigo – 2) consistirá em uma análise de custo-efetividade por
meio de um Modelo de Transição de Estados de Markov, sob a perspectiva do Sistema Único
de Saúde (SUS). O modelo será parametrizado com dados da coorte do ELSA-Brasil, o maior
estudo epidemiológico da América Latina. A população será estratificada por raça/cor
autodeclarada (brancos, pardos e pretos). A análise comparará o controle da hipertensão arterial
em tratamento com o seu descontrole (pacientes que permanecem com a pressão elevada apesar
do tratamento), a fim de estimar a Razão de Custo-Efetividade Incremental (RCEI) por Ano de
Vida Ajustado por Qualidade (QALY) ganho para cada grupo racial. Serão conduzidas análises
de sensibilidade determinística e probabilística para avaliar a robustez dos resultados. Espera
se que este estudo pioneiro preencha uma lacuna crítica na literatura nacional, por ser o primeiro
a avaliar a custo-efetividade do tratamento da HAS com foco em disparidades raciais. Almeja
se gerar evidências robustas para subsidiar o desenvolvimento de políticas de saúde, diretrizes
clínicas e estratégias de alocação de recursos no SUS que sejam simultaneamente mais
eficientes e equitativas.
MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - GIÁCOMO BALBINOTTO NETO
Presidente - 1039964 - ANDRE DE OLIVEIRA BALDONI
Externo à Instituição - MARCELO MARTINS PINTO FILHO