ANÁLISE DA PERSISTÊNCIA DE CARGA VIRAL EM PACIENTES QUE APRESENTAM COVID LONGA: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
SARS-CoV-2, Covid-Longa, Viremia
A COVID-Longa caracteriza-se pela persistência de sinais e sintomas após a fase aguda da infecção viral pelo SARS-CoV-2, envolvendo manifestações em diferentes sistemas orgânicos que podem comprometer significativamente a qualidade de vida das pessoas acometidas. Entre os mecanismos fisiopatológicos propostos para explicar a doença, destaca-se a hipótese de persistência viral, baseada na detecção prolongada de RNA do SARS-CoV-2 em diferentes amostras biológicas, mesmo após o fim da infecção aguda. Entretanto, a relação entre a manutenção da viremia e a sintomatologia persistente ainda permanece incompletamente esclarecida. O presente estudo teve como objetivo investigar, através da revisão sistemática, a persistência do RNA do SARS-CoV-2 em amostras biológicas de indivíduos com COVID-Longa. A revisão foi conduzida conforme as recomendações do PRISMA 2020. As buscas eletrônicas foram realizadas entre 26 de agosto e 6 de setembro de 2025 nas bases PubMed/MEDLINE, SCOPUS, Google Scholar e LILACS. Foram incluídos estudos observacionais envolvendo indivíduos de qualquer faixa etária com diagnóstico prévio de COVID-19 confirmado por RT-qPCR e presença de sintomas persistentes, por pelo menos três meses e compatíveis com COVID-Longa. Os estudos deveriam avaliar a presença de RNA viral em amostras como plasma, fezes, urina, saliva ou swab respiratório. Foram excluídos editoriais, artigos de opinião, estudos post-mortem e trabalhos sem confirmação prévia da infecção por RT-qPCR. A seleção dos estudos foi realizada por dois revisores independentes com auxílio do software Rayyan, sendo as divergências resolvidas por consenso. A qualidade metodológica foi avaliada por instrumentos do Joanna Briggs Institute, aplicados conforme o delineamento dos estudos. Foram identificados 454 registros nas bases consultadas, oito estudos preencheram os critérios de elegibilidade, totalizando 1.410 participantes. Predominou-se estudos de coorte, além de um estudo caso-controle. As amostras biológicas em sua maioria analisadas foram sangue, swab nasofaríngeo e fezes. Todos os estudos utilizaram RT-qPCR para confirmação diagnóstica e detecção do RNA viral. A persistência de material genético do SARS-CoV-2 foi observada em diferentes amostras clínicas, principalmente em plasma e fezes, sendo associada à presença de sintomas prolongados em sete dos oito estudos incluídos. A fadiga foi o sintoma mais frequentemente relatado. Ainda que os estudos demonstrem associação consistente entre persistência de RNA viral e COVID-Longa, a maioria não permitiu confirmar replicação viral ativa. Conclui-se que a persistência do RNA do SARS-CoV-2 em diferentes amostras biológicas representa um achado frequente em indivíduos com COVID-Longa e pode sim estar relacionada à manutenção dos sinais e sintomas da doença. Porém, a heterogeneidade metodológica dos estudos e as limitações inerentes aos métodos diagnósticos mostram a necessidade de investigações adicionais capazes de esclarecer o papel da persistência viral na fisiopatologia da COVID-Longa.