DESAFIOS E POSSIBILIDADES PARA A INCLUSÃO DE ESTUDANTES COM TEA EM UM CURSO DO ENSINO SUPERIOR: COM A PALAVRA, OS PROFESSORES
Educação Inclusiva; Ensino Superior; Transtorno do Espectro Autista;
Formação Docente.
O presente trabalho tem como objetivo compreender, sob a perspectiva de professores de um
curso do ensino superior, os desafios e as possibilidades para a inclusão de estudantes com
Transtorno do Espectro Autista (TEA) em uma Instituição de Ensino Superior (IES).
Fundamentado em referenciais da Educação Especial e da formação docente, o estudo parte do
aumento do número de alunos público-alvo da Educação Especial (PAEE) no ensino superior
brasileiro, mesmo que ainda escasso, e da necessidade de refletir sobre como os docentes têm
se preparado para promover práticas pedagógicas inclusivas, com ênfase nos estudantes com
TEA. A pesquisa, de natureza qualitativa, utilizou entrevistas semiestruturadas com docentes
de um curso de graduação em uma IES, visando analisar suas concepções sobre inclusão e TEA,
suas trajetórias formativas, as estratégias pedagógicas inclusivas empregadas em suas práticas
docentes e os desafios para uma efetiva inclusão. Para a análise e interpretação dos dados, foi
utilizada a técnica de Análise de Conteúdo de Bardin, buscando identificar sentidos e
significados nas falas docentes sobre formação, práticas e desafios institucionais. A análise dos
dados resultou na construção de categorias temáticas elaboradas a posteriori. O referencial
teórico apoia-se principalmente em autores como Mantoan (2003), Pletsch (2020), Tardif
(2014) e Maia e Salles (2022), que discutem a importância da formação inicial e continuada na
efetivação da inclusão. Os resultados evidenciam que os docentes reconhecem a importância
da inclusão de estudantes com TEA no Ensino Superior, porém relatam fragilidades em sua
formação inicial e continuada para atuar com esse público. As falas também revelam que as
práticas inclusivas têm sido construídas, sobretudo, por meio da experiência docente, da
flexibilização das estratégias pedagógicas e do diálogo com os estudantes, ao mesmo tempo em
que apontam a necessidade de maior apoio institucional, investimentos em formação continuada
e fortalecimento de políticas de acessibilidade. Esses achados reforçam que a efetivação da
inclusão no Ensino Superior depende da articulação entre formação docente, práticas
pedagógicas e compromisso institucional com a diversidade.